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A origem da Associação Elo do Bem

A história da Elo do Bem: uma jornada de fé, superação e solidariedade que transformou o desejo de ajudar em ações que conectam pessoas.

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A história da Elo do Bem começou muito antes de existir uma associação.

Durante boa parte da vida, vivi muitas aventuras, conheci pessoas diferentes e passei por experiências que ajudaram a formar quem sou. Sempre acreditei em Deus, mas nunca fui uma pessoa de frequentar igrejas. Também sempre tive vontade de ajudar outras pessoas, embora minha timidez muitas vezes fizesse com que essa vontade permanecesse apenas como intenção.

Minha vida começou a mudar quando conheci minha esposa, Carol. Com ela, conheci um mundo novo e novos horizontes.

Depois veio Ana Luísa.

Quando minha primeira filha nasceu, aconteceu algo difícil de explicar. Tudo aquilo que eu havia estudado e imaginado sobre ser pai pareceu desaparecer. Naquele momento, não nasceu apenas uma filha. Nasceu também uma nova pessoa em mim: o pai.

Foi nessa época que comecei a estudar mais profundamente sobre Deus.

Anos depois nasceu Lívia. E, naquele momento, senti que minha família estava completa. Eu tinha minha esposa, duas filhas e, pouco tempo depois, também alcançaria uma conquista profissional que durante muito tempo parecia impossível: concluir a faculdade e conquistar minha carteira da OAB.

Costumo dizer que existem cinco dias inesquecíveis na minha vida:

O dia do meu casamento.
O nascimento da Ana Luísa.
Meu último dia na faculdade.
O dia em que conquistei minha carteira da OAB.
E o nascimento da Lívia.

Eu havia construído a família e a profissão que desejava.

Mas, mesmo assim, em algum momento surgiu dentro de mim uma sensação difícil de explicar: um vazio.

Eu sentia como se existisse alguma coisa a mais que deveria fazer, quase como uma missão que eu ainda não conseguia compreender.

Comecei a estudar cada vez mais sobre Deus e Jesus. Quanto mais estudava, mais conhecimento adquiria, mas ainda sentia que faltava alguma coisa.

Procurei diferentes igrejas, mas nunca consegui me sentir verdadeiramente pertencente a nenhuma delas.

Então veio 2021.

Depois de um período de muito estresse, entrei em uma depressão profunda.

Durante uma das primeiras sessões de terapia, tentei explicar como estava me sentindo. Usei uma imagem que até hoje permanece muito viva na minha memória: eu estava no fundo de um poço.

Contei em detalhes como imaginava aquele lugar, a terra, a tentativa de subir e o desmoronamento que fazia com que eu afundasse ainda mais.

Pouco depois, recebi uma mensagem de um pastor que eu não conhecia.

A mensagem dizia:

“Muitas vezes o fundo do poço é o local onde Deus marca um encontro com você.”

Aquilo provocou um verdadeiro estalo em mim.

A partir daquele momento, minha maneira de enxergar Deus mudou profundamente. As coisas que eu estudava começaram a fazer mais sentido. Algumas dúvidas que carregava havia anos perderam força. Passei a enxergar a vida de outra maneira.

Minha recuperação também foi muito mais rápida do que eu imaginava, algo que surpreendeu até minha terapeuta.

Ainda tentei encontrar meu lugar dentro de uma igreja, mas continuava não me sentindo pertencente.

Foi então que comecei a perceber outra coisa.

Quanto mais eu ajudava pessoas, mais eu me sentia útil, vivo e conectado com aquilo em que acreditava.

Comecei a entender os ensinamentos de Jesus de uma maneira diferente. Não apenas como conceitos religiosos, mas como ensinamentos sobre amor, compaixão e ajuda ao próximo.

E percebi que talvez eu não precisasse encontrar uma igreja.

Talvez eu precisasse encontrar uma maneira de colocar em prática aquilo que estava aprendendo.


O bem começa a se multiplicar

Foi dentro do Setlife II que isso começou a ganhar forma.

Por circunstâncias naturais, acabei exercendo uma liderança na comunidade. As pessoas começaram a me procurar para pedir ajuda para resolver problemas e também para organizar ações sociais.

No começo, eu fazia contatos, conseguia brinquedos, ajudava a vender convites, arrecadava valores e tentava encontrar maneiras de viabilizar as ações.

Com o tempo, comecei a assumir diretamente algumas delas.

Ajudamos durante três anos consecutivos um lar que cuida de pessoas idosas.

Arrecadamos brinquedos para uma entidade que atende crianças em uma região de vulnerabilidade.

Arrecadamos leite e fizemos doações para instituições da região.

Mais recentemente, conseguimos arrecadar recursos para comprar uma cama elástica e doá-la a uma entidade que atende crianças carentes.

Não existiu uma primeira grande ação que marcou o nascimento da Elo do Bem.

Ela foi surgindo aos poucos.

E existe uma mudança importante nisso.

No começo, eu fazia porque sentia que era uma obrigação.

Hoje, faço porque tenho prazer em fazer.

Termino uma ação e, em vez de pensar muito no que fiz, já começo a pensar no que pode ser feito depois.


A ideia do Elo

Outra influência importante veio dos meus estudos sobre Jesus e também de um filme que me marcou muito: Corrente do Bem.

A ideia do filme é simples: uma pessoa ajuda outras duas e pede que cada uma delas faça o mesmo. Uma pequena ação pode se multiplicar e alcançar muito mais pessoas do que aquela que começou o movimento poderia imaginar.

Essa ideia ficou comigo.

Quando chegou o momento de escolher o nome da associação, “Corrente do Bem” já era utilizado por outra organização.

Então surgiu Elo do Bem.

Porque um elo é aquilo que conecta.

E essa é a ideia que quero para a associação: conectar quem quer ajudar com quem precisa de ajuda e fazer com que uma boa ação possa gerar outras.


O sonho que finalmente saiu do papel

A criação da associação não foi uma ideia que surgiu de repente.

Era um sonho antigo, anterior até mesmo à depressão.

Mas eu fui adiando.

No final do ano passado, percebi que não era mais correto continuar movimentando recursos de terceiros através da minha conta pessoal. Além da questão fiscal, havia uma questão ainda mais importante: o dinheiro não era meu, e precisava existir uma estrutura adequada para receber e administrar esses recursos.

Foi o empurrão que faltava para tirar o sonho do papel.

A Associação Elo do Bem nasceu formalmente.

E algo interessante aconteceu logo no começo.

Um contador que já acompanhava algumas das ações que eu realizava conheceu a ideia e se ofereceu para ajudar. Fez todo o trabalho necessário para a criação da associação sem cobrar nada.

Para mim, isso foi mais uma confirmação de algo que já vinha percebendo: quando alguém começa a fazer o bem, outras pessoas também encontram maneiras de participar.


O que somos hoje

A Elo do Bem ainda está começando.

Não temos a pretensão de dizer que sabemos exatamente onde vamos chegar.

Hoje nosso trabalho é simples: arrecadar recursos e direcioná-los para quem precisa, principalmente através de instituições e entidades que já realizam esse trabalho.

Estamos arrecadando leite para o Fundo Social do município, brinquedos para a entidade que atende crianças e continuamos apoiando o lar que cuida de idosos.

No futuro, podemos crescer, buscar recursos públicos, desenvolver projetos próprios e talvez descobrir novos caminhos.

Mas não precisamos decidir tudo agora.

Prefiro que o propósito da associação nasça naturalmente das necessidades que encontrarmos pelo caminho.


E por que fazer tudo isso?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

Eu poderia responder de muitas maneiras.

Mas a resposta mais honesta é simples:

Porque me faz bem.

Eu me sinto vivo e útil quando consigo ajudar alguém.

E existe algo ainda maior nisso.

Hoje vejo minhas filhas participando das ações dentro da disponibilidade delas e ajudando pessoas sem esperar nada em troca. Sinto muito orgulho disso.

Talvez uma das maiores realizações de uma vida seja perceber que aquilo que fazemos começa a inspirar outras pessoas.

Não preciso que meu nome esteja em uma placa.

Se um dia alguém disser que “alguém fez isso e me deu vontade de fazer também”, já será suficiente.

Porque, no fim, é exatamente essa a ideia do Elo do Bem.

Uma pessoa ajuda.
Outra se inspira.
Outra participa.
E o bem continua.

A associação ainda é pequena.

Mas talvez não seja necessário começar grande.

É preciso começar.

E foi isso que finalmente fizemos.

Nossos colunistas

Se preferir, acesse os conteúdos separados por autor.

A origem da Associação Elo do Bem
Esio Pereira

Colunista

18

publicações

Advogado, especialista em gestão de condomínios.

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